Dom Itamar Vian
Publicada em 09 de Março de 2010 ás 14:37:52 Share

O CRACK E A VIOLÊNCIA

A sociedade brasileira está perplexa diante de duas pontas salientes do iceberg da realidade social; o crack e a violência. Enquanto o Brasil revive o ufanismo diante de conquistas econômicas e da expectativa do Mundial de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, vê crescer de forma assustadora algo que pode ser chamado de guerra urbana  e rural.

QUAIS as causas que levam um jovem a ingressar no mundo sombrio da droga? Curiosidade, desemprego, desejo de novas sensações, falta de diálogo na família e as famosas más companhias. A culpa também cabe a uma sociedade consumista que diviniza o ter. Essa sociedade permite incentivar o uso das chamadas drogas lícitas – cigarro e álcool -, mas que também causam imensos males.

ATUALMENTE o crack apresenta um crescimento desmedido no país. É uma mistura de cocaína em forma de pasta não refinada – suja – com bicarbonato de sódio. As pedras de crack são devastadoras, afetando o cérebro, os pulmões, causando ataques cardíacos e derrame cerebral. Isso no campo físico. São também impressionantes as mudanças comportamentais dos jovens viciados afetando a família e agredindo com requintes de violência.

OS MEIOS de comunicação têm insistido no perigo do crack, com resultados discutíveis. Os poderes constituídos acenam com mais verbas para o combate à droga e o recolhimento compulsório dos viciados. As medidas são apenas paliativas, como é paliativa a solução de aumentar a repressão. O bom senso e a natureza nos ensinam que somos livres para escolher a semente que vamos semear, mas é obrigatória a colheita daquilo que semeamos.

DO PODEROSO Império Romano se diz que não foi conquistado pelos bárbaros, mas apodreceu socialmente e por isso foi aniquilado. Nosso país atravessa perigoso estágio de decomposição moral. As três grandes instituições sociais – Igreja, Escola e Família – tiveram diminuída sua força e influência. E os resultados estão aí.

NÃO HÁ COMO nos enganarmos: nada do que fazemos começa e acaba apenas em nós mesmos. Atinge, ao contrário, toda a coletividade. Hoje, dizendo não ás drogas, estamos não só beneficiando a própria saúde. Estamos, igualmente, contribuindo para construir um mundo de paz. Sejamos senhores de nossa vida. Não deixemos que a droga mande em nós. A primeira vítima seremos nós mesmos e a nossa família.

+Itamar Vian
Arcebispo Metropolitano
di.vainfs@ig.com.br
 

Jorge Magalhães

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