| Publicada em 06 de Outubro de 2009 ás 00:00:00 |
|
Um 'casamento' em crise
PTB, PMN, PPS, PSTU, PSDC, PP, PCB, PSC, PDT, PRTB, PCdoB, PSL, DEM, PLN, PV, PSB, PR, PT, PMDB, PR, PSDB, PTC... Ufa! O que não falta é partido político no Brasil. A sopa de letrinhas acaba atrapalhando o eleitor, como eu, e certamente você, amigo leitor. Se a pessoa vota pela amizade a algum candidato de um partido considerado nanico, tem que ficar bastante atento para não se atrapalhar na urna eletrônica. E se você quer disputar um cargo nas próximas eleições, se tornar deputado estadual ou federal, arrumar a sua vida, em definitivo, à custa do povo, o prazo para filiação de quem pretende concorrer nas eleições do ano que vem terminou no dia 02 de outubro [sexta-feira passada]. Uma dúzia de celebridades se apressou para se filiar. Mais uma penca de políticos aproveitou para trocar de partido em busca de mais facilidade de eleição ou reeleição. A regra da fidelidade partidária, estabelecida pelo TSE determinando a perda de mandato para quem muda de partido, foi solenemente ignorada. Rasgada ao meio. O prazo de filiação mínima exigido pela Legislação Eleitoral é insuficiente para que exista de fato a fidelidade partidária no Brasil. O pretenso candidato não vive a realidade do partido, não conhece suas bandeiras. Quando escolhe o partido, o candidato normalmente observa apenas duas coisas: a posição política regional e a facilidade de se eleger.
Essa falta de politização dos próprios candidatos favorece cenas como a presenciada na filiação do ex-jogador Romário ao PSB, quando disse que estava muito contente de estar ingressando no PSDB. Na sopa de letrinhas da política brasileira um D faz uma enorme diferença.
O 1º turno das eleições ocorrerá no dia 3 de outubro do ano que vem e, caso haja 2º turno, os eleitores voltarão às urnas no dia 31 daquele mesmo mês. Conforme a lei e a jurisprudência do TSE, deve ser observado o prazo mínimo de um ano de filiação ao partido pelo qual se pretende concorrer a cargo eletivo. Aí já viu, né? Políticos à caça de legendas nos últimos dias. Em nosso terreiro baiano, o tabuleiro das mudanças ficou agitado. Humberto Cedraz, um dos grandes articuladores políticos da região, migrou para o PSDB. A mulher do prefeito de Salvador, Maria Luiza, deixou o PMDB pelo PSC. O radialista Carlos Geilson foi para o PTN. Não soube de nenhuma mudança na nossa Câmara de Vereadores, pelo menos até o horário em que concluí este artigo.
Dezenas de deputados federais, senadores ou figuras de projeção nacional trocaram de partido de olho nas eleições de 2010. O instituto da fidelidade partidária está ameaçado, caso o Tribunal Superior Eleitoral [TSE] não tome uma medida dura contra os 'infiéis'.
Podemos comparar o político de hoje ao jogador de futebol. Antes, um atleta iniciar e encerrar a carreira em um clube era normal. Hoje, virou fato raro, com exceções dos goleiros Rogério Ceni e Marcos. Na política é o mesmo. Lembro-me que tínhamos duas opções: Arena ou MDB. Bem mais fácil de escolher. Hoje, como citamos no início do artigo, sigla partidária é 'artigo' encontrado com a maior facilidade. A coisa ganhou proporções tão absurdas que até mesmo a ideologia fica em segundo, terceiro, quarto planos. Quem dorme na oposição hoje, pode acordar na situação. E vice-versa. As justificativas dos políticos são as mais absurdas e esdrúxulas possíveis.
Já imaginou esculhambar o governo Wagner numa semana e na outra considerá-lo o melhor do mundo? No mínimo incoerência, não é? Em nível municipal não é diferente.O governo de Tarcízio Pimenta é alvo de críticas hoje, amanhã a situação é completamente diferente. Tudo culpa da infidelidade partidária.
A relação entre o político e o partido pode ser comparada a um casamento recheado de desconfianças. O marido dorme todos os dias com a esposa, mas isso não o impede de conversar e sair com outras mulheres. Um dia, estas escapadinhas podem se tornar uma traição, com direito a divórcio litigioso. E os filhos - comparado aos eleitores - é que sofrem as consequências. Sérgio Alves Lima Administrador de Empresas CRA-BA 11489
|